{"id":5814,"date":"2011-04-26T08:28:18","date_gmt":"2011-04-26T13:28:18","guid":{"rendered":"http:\/\/smithjan.com\/blog\/?p=5814"},"modified":"2012-03-29T10:58:31","modified_gmt":"2012-03-29T16:58:31","slug":"chernobyl-revisitando-25-anos-capitulo-2-acidentes-acontecem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/smithjan.com\/blog\/2011\/04\/26\/chernobyl-revisitando-25-anos-capitulo-2-acidentes-acontecem\/","title":{"rendered":"Chernobyl, Revisitando 25 Anos  \u2013 Cap\u00edtulo 2 Acidentes Acontecem"},"content":{"rendered":"<div class=\"fcbkbttn_buttons_block\" id=\"fcbkbttn_left\"><div class=\"fcbkbttn_button\">\n                            <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/\" target=\"_blank\">\n                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/smithjan.com\/blog\/wp-content\/plugins\/facebook-button-plugin\/images\/standard-facebook-ico.png\" alt=\"Fb-Button\" \/>\n                            <\/a>\n                        <\/div><div class=\"fcbkbttn_like \"><fb:like href=\"https:\/\/smithjan.com\/blog\/2011\/04\/26\/chernobyl-revisitando-25-anos-capitulo-2-acidentes-acontecem\/\" action=\"like\" colorscheme=\"light\" layout=\"standard\"  width=\"225px\" size=\"small\"><\/fb:like><\/div><\/div><div>\n<p><strong><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/downloads\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/Graves-All.jpg');\"  href=\"http:\/\/smithjan.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/Graves-All.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" title=\"Graves All\" src=\"http:\/\/smithjan.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/Graves-All.jpg\" alt=\"\" width=\"286\" height=\"2018\" \/><\/a>Como ocorreu o Acidente em Chernobyl<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 viajar para Chernobyl, eu nunca havia me perguntado sobre a causa do acidente. Imaginei um extremo mal funcionamento de algum componente e lembrava de piadas ruins, como, \u201cPara qu\u00ea serve este bot\u00e3o?\u201d. Infelizmente, a piada \u00e9 o mais pr\u00f3ximo \u00e0 verdade. Um artigo escrito por Boris Gorbachev em 2003, revendo as causas do acidente, menciona um gerente da planta do reator descrevendo a falta de cuidado entre os funcion\u00e1rios:<\/p>\n<p><em>\u201cImagine \u2013 era poss\u00edvel ver o operador sentado no painel de contr\u00f4le. Aquele com os bot\u00f5es&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Como assim?&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0&#8211; Assim mesmo, ele simplesmente sentou. Sentou em cima do painel. N\u00e3o estou brincando\u201d.<\/em><\/p>\n<p>O real culpado \u00e9 o incr\u00edvel ac\u00famulo de neglig\u00eancia e arrog\u00e2ncia. Os diretores da planta eram nomeados pol\u00edticos, sem experi\u00eancia em energia nuclear. Disciplina era praticamente inexistente entre os funcion\u00e1rios; precedendo o acidente existiram v\u00e1rios relat\u00f3rios sobre membros da equipe de funcion\u00e1rios embriagados ou \u201ccabulando\u201d expediente. Projetos da constru\u00e7\u00e3o do reator, apresentavam caracter\u00edsticas redundantes e falta de aspectos importantes de seguran\u00e7a. Onde os planos de constru\u00e7\u00e3o estavam corretos, foram utilizados materiais errados por neglig\u00eancia ou por trapa\u00e7as.<\/p>\n<p>O acidente ocorreu durante um experimento programado para testar uma potencial dispositivo de seguran\u00e7a para situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia, do n\u00facleo do reator. Simplificando, o experimento basicamente consistiu em checar o que aconteceria se toda a energia principal fosse perdida, e o sistema de emerg\u00eancia tamb\u00e9m deixado sem energia. O sistema de resfriamento do reator estaria desligado e o n\u00facleo come\u00e7aria a aquecer perigosamente, mas em teoria, o \u201cmomentum\u201d das turbinas do reator produziriam energia suficiente, devido \u00e0 in\u00e9rcia, para alimentar o sistema morto\/desligado de resfriamento. Seria o equivalente a desligar o respirador artificial de um paciente, e se perguntar quanto tempo o mesmo conseguiria segurar a respira\u00e7\u00e3o antes de ligar o respirador a uma bateria. O resultado foi que o n\u00facleo do reator aqueceu rapidamente, e eventualmente o bot\u00e3o errado realmente foi acionado.<\/p>\n<p>\u00c0 01:23:40 hora da manh\u00e3, do dia 25 de Abril de 1986, hor\u00e1rio registrado no sistema central, o bot\u00e3o EPS-5 (tamb\u00e9m conhecido como AZ-5) foi acionado, e o desligamento de emerg\u00eancia do reator inicializado. O motivo pelo qual o bot\u00e3o foi acionado \u00e9 desconhecido, mas independentemente do motivo, uma vez acionado, as hastes de controle foram inseridas no n\u00facleo do reator. Na teoria, as hastes neutralizariam as rea\u00e7\u00f5es nucleares dentro do n\u00facleo, e diminuiri\u00e3o as temperaturas. O ambiente ao redor das hastes no momento de sua inser\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava t\u00e3o quente, que as pontas derreteram ao entrarem no n\u00facleo, obstruindo a passagem e impedindo a completa inser\u00e7\u00e3o. Neste momento, todas as esperan\u00e7as foram perdidas.<\/p>\n<p>Se o sistema de resfriamento de emerg\u00eancia tivesse sido acionado antes, a temperatura do n\u00facleo talvez esfriasse o suficiente para possibilitar a inser\u00e7\u00e3o completa das hastes. \u00a0Sem a inser\u00e7\u00e3o da hastes, a rea\u00e7\u00e3o nuclear aumentou, as temperaturas continuaram a subir e momentos depois, uma explos\u00e3o de vapor destruiu o teto do Reator N<sup>o<\/sup> 4. Segundos depois, outra explos\u00e3o (tecnicamente uma excurs\u00e3o nuclear) projetou elementos radioativos para o c\u00e9u.<\/p>\n<h1>Bombeiros her\u00f3is de Chernobyl<\/h1>\n<p>A resposta daqueles de plant\u00e3o, foi her\u00f3ica. Muitos da equipe deram suas vidas nas tentativas de desligar o reator, conscientes dos riscos da radia\u00e7\u00e3o. Pouco ap\u00f3s a explos\u00e3o, bombeiros chegaram ao local para tentar extinguir o fogo. Seus esfor\u00e7os provavelmente evitaram outras explos\u00f5es, que causariam mais libera\u00e7\u00e3o de material radioativo na atmosfera. No per\u00edodo de 3 semanas ap\u00f3s a explos\u00e3o, a maioria deles morreria em UTIs em Moscou.<\/p>\n<p>Grigorii Khmel: <em>\u201cN\u00f3s chegamos l\u00e1 10 ou 15 minutes antes das 2 horas da manh\u00e3&#8230; Vimos grafite espalhado. Misha perguntou: \u201cO que \u00e9 grafite?\u201d Eu chutei os peda\u00e7os para longe, mas um dos bombeiros do outro caminh\u00e3o, apanhou um peda\u00e7o. \u201cEst\u00e1 quente\u201d, ele disse. Os peda\u00e7os de grafite eram de tamanhos diferentes, alguns grandes, outros pequenos o suficiente para serem apanhados do ch\u00e3o&#8230; N\u00f3s n\u00e3o sab\u00edamos muito sobre radia\u00e7\u00e3o. Mesmo aqueles que trabalhavam l\u00e1, n\u00e3o tinham muita id\u00e9ia. N\u00e3o havia mais \u00e1gua nos caminh\u00f5es. Misha encheu a cisterna e apontamos a \u00e1gua para o topo. Foi ent\u00e3o que aqueles rapazes que morreram, subiram no telhado \u2013 Vashcjik Kolya e outros, e Volodya Pravik&#8230; Eles subiram a escada&#8230; e eu nunca mais os vi\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Anatoli Zakharov: <em>\u201cMe lembro de brincar com os outros, dizendo: \u2018Deve haver uma quantidade incr\u00edvel de radia\u00e7\u00e3o aqui. Teremos sorte se ainda estivermos vivos de manh\u00e3\u2019. Claro que sab\u00edamos! Se tiv\u00e9ssemos seguido regulamenta\u00e7\u00f5es, nunca ter\u00edamos chegado perto do reator. Mas era uma obriga\u00e7\u00e3o moral \u2013 nosso dever. \u00c9ramos como Kamikazes\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Eu visitei os t\u00famulos das 28 primeiras v\u00edtimas de Chernobyl, os bombeiros e t\u00e9cnicos que lutaram para controlar o fogo e a oclus\u00e3o do reator. Quando cheguei no Cemit\u00e9rio Mitino em Moscow, onde est\u00e3o enterrados, j\u00e1 eram 2 horas da tarde, e come\u00e7ava a escurecer. Havia nevado muito e todas as sepulturas estavam cobertas de gelo e neve. Eu quebrei os \u201ccasulos\u201d de gelo e descobri flores sob a neve. Cada l\u00e1pide revelou um rosto em metal fundido, me encarando friamente.<\/p>\n<dl id=\"attachment_1056\">\n<dt><\/dt>\n<dd>Chernobyl Memorial, Mitino Cemetery Moscow, Jan Smith 2011<\/dd>\n<\/dl>\n<\/div>\n<p>Portugu\u00eas:\u00a0\u00a0<a title=\"Link Capitulo 1\" href=\"http:\/\/smithjan.com\/blog\/?p=5808  \">Cap\u00edtulo 1<\/a>\u00a0\/<a title=\"Link Capitulo 2\" href=\"http:\/\/smithjan.com\/blog\/?p=5814\">\u00a0Cap\u00edtulo 2<\/a>\u00a0\/\u00a0<a title=\"Link Capitulo 3\" href=\"http:\/\/smithjan.com\/blog\/?p=5825\">Cap\u00edtulo 3<\/a>\u00a0\/\u00a0<a title=\"Link Capitulo 4\" href=\"http:\/\/smithjan.com\/blog\/?p=5827\">Cap\u00edtulo 4<\/a>\u00a0\/\u00a0<a title=\"Link Capitulo 5\" href=\"http:\/\/smithjan.com\/blog\/?p=5822\">Cap\u00edtulo 5<\/a>\u00a0\/\u00a0<a title=\"Link Capitulo 6\" href=\"http:\/\/smithjan.com\/blog\/?p=5816 \">Cap\u00edtulo 6<\/a><\/p>\n<p>English:\u00a0<a href=\"http:\/\/smithjan.com\/blog\/2011\/01\/26\/chernobyl-25-years-revisited-chapter-1\/\" target=\"_self\">Link to Chapter 1<\/a>\u00a0\/\u00a0<a href=\"http:\/\/smithjan.com\/blog\/2011\/01\/28\/chernobyl-25-years-revisited-chapter-3\/\" target=\"_self\">Link to Chapter 3<\/a>\u00a0\/\u00a0<a href=\"http:\/\/smithjan.com\/blog\/2011\/01\/31\/chernobyl-25-years-revisited-chapter-4-disaster-porn\/\" target=\"_self\">Link to Chapter 4<\/a>\u00a0\/\u00a0<a href=\"http:\/\/smithjan.com\/blog\/2011\/02\/02\/chernobyl-25-years-revisited-wanderings-in-pripyat\/\" target=\"_self\">Link to Chapter 5<\/a>\u00a0\/<a href=\"http:\/\/smithjan.com\/blog\/2011\/02\/05\/1252\/\">Link to Chapter 6<\/a><\/p>\n<p><strong>See Pripyat 25 Years Later: \u00a0Complete Gallery<\/strong><\/p>\n<p><a onclick=\"javascript:pageTracker._trackPageview('\/outgoing\/www.smithjan.com\/pripyat.html');\"  href=\"http:\/\/www.smithjan.com\/pripyat.html\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"(4of 5)L1003050-Edit-Edit\" src=\"http:\/\/smithjan.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/4of-5L1003050-Edit-Edit-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"90\" height=\"90\" \/>COMPLETE GALLERY\/GALERIA ONLINE:\u00a0http:\/\/www.smithjan.com\/pripyat.html<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como ocorreu o Acidente em Chernobyl At\u00e9 viajar para Chernobyl, eu nunca havia me perguntado sobre a causa do acidente. 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